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    Insight25 de ago. de 2026

    Open Finance Bate 154 Milhões de Consentimentos: Guia para Fintechs

    Rede abstrata de pontos e linhas conectados representando o compartilhamento de dados entre instituições financeiras

    Em fevereiro de 2026, o Open Finance brasileiro completou cinco anos e alcançou 154 milhões de consentimentos ativos, com mais de 100 milhões de contas de pessoas físicas e jurídicas conectadas — o maior ecossistema de dados abertos financeiros do mundo, à frente de mercados como Reino Unido e União Europeia (Finsiders Brasil). Enquanto parte do mercado ainda discute quando o DREX vai “tokenizar” essa base de dados, a infraestrutura que já está pronta para uso é outra: a própria escala do Open Finance. Este artigo separa o que fintechs podem construir agora do que segue sendo promessa regulatória para os próximos anos.

    Open Finance bate recorde de consentimentos em 2026

    Entre 2024 e 2025, os consentimentos únicos do Open Finance cresceram 143% e o total de consentimentos avançou 149%, um ritmo que consolidou o modelo brasileiro como referência global (Finsiders Brasil). Isso significa que boa parte dos clientes bancarizados do país já compartilha dados financeiros entre instituições de forma voluntária e recorrente — não é mais um piloto regulatório, é infraestrutura em produção.

    • 154 milhões de consentimentos ativos registrados até fevereiro de 2026 (Finsiders Brasil)
    • Mais de 100 milhões de contas de pessoas físicas e jurídicas conectadas (Finsiders Brasil)
    • Crescimento de 143% em consentimentos únicos entre 2024 e 2025 (Finsiders Brasil)

    Por que a integração com o DREX ainda não saiu do papel

    Em novembro de 2024, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, descreveu a integração entre Open Finance e tokenização como “extremamente poderosa”, citando portabilidade e comparabilidade em tempo real via tokens (Exame). O discurso alimentou a expectativa de que o DREX chegaria com contratos inteligentes e programabilidade sobre a moeda digital, complementando o Open Finance.

    A prática seguiu outro caminho. Em setembro de 2025, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, anunciou que a próxima fase do DREX não terá blockchain nem tokenização — o sistema ficará restrito a uso institucional para reconciliação de gravames, isto é, verificação de ativos dados em garantia (Gazeta do Povo). Dois meses depois, em novembro de 2025, o BC desligou a plataforma piloto do DREX e anunciou reinício do projeto “do zero”, sem compromisso com blockchain (Exame). Para fintechs, o recado é direto: tratar a integração DREX-tokenização como recurso disponível hoje é um erro de planejamento.

    O que fintechs já podem construir com Open Finance

    A pesquisa da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) com a PwC Brasil mostra que, entre fintechs de crédito, o Open Finance já é a iniciativa preferida para fortalecer produtos, citada por 38% das empresas — à frente do próprio DREX, mencionado por 28% (FintechLab). Com 154 milhões de consentimentos ativos, a base de dados para isso já existe.

    • Comparabilidade em tempo real de tarifas, taxas e condições entre instituições
    • Produtos de crédito com decisão baseada em dados compartilhados, não apenas em histórico interno
    • Hiperpersonalização de ofertas a partir do comportamento financeiro real do cliente

    Tokenização de ativos avança fora do cronograma do DREX

    Enquanto o DREX recua tecnicamente, o mercado privado de tokenização de ativos reais (RWA) não esperou: as emissões acumuladas saltaram de R$ 122,44 milhões em fevereiro de 2025 para R$ 2,876 bilhões em janeiro de 2026, um crescimento de 2.249% em um ano, liderado por bancos e emissores privados com CCBs e notas comerciais tokenizadas (TradingView/Cointelegraph). A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) descreveu esse conhecimento acumulado como um “legado” que sobrevive mesmo com o desligamento da plataforma piloto do DREX (Exame).

    A visão do Banco Central para 2029 — e o que muda para fintechs agora

    O Banco Central mantém uma meta de longo prazo: o secretário-executivo Rogério Lucca afirmou que a autoridade monetária planeja a convergência entre Pix, DREX, tokenização de ativos reais e Open Finance até 2029, formando o que chamou de terceira grande infraestrutura pública digital do sistema financeiro (TradingView/Cointelegraph). Já em 2024, outro diretor do BC, Otávio Damaso, havia descrito Pix, Open Finance e DREX como iniciativas complementares, “uma tendo um pedaço da outra” (Exame). É uma direção declarada, não um recurso disponível — e o intervalo entre as duas coisas é onde fintechs devem planejar com cautela.

    O que fica para fintechs a partir de agora

    O maior ativo do Open Finance brasileiro não é uma promessa: são 154 milhões de consentimentos já em uso. A integração com o DREX e a tokenização segue sendo um horizonte de médio prazo, com meta oficial para 2029 e sem entrega técnica confirmada até agora. Fintechs que esperam esse capítulo abrir para começar a inovar perdem tempo de mercado. O caminho mais seguro é construir produtos de crédito, comparação e personalização sobre a base de dados que já está disponível — e acompanhar o DREX pelo que ele é hoje: um projeto em reconstrução.