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    Insight16 de jun. de 2026

    Open Finance com 153 milhões de consentimentos: o que muda quando fintechs saem da fase regulatória e focam em produtos em 2026

    Pessoa utilizando smartphone e laptop simultaneamente para operações financeiras digitais

    O Brasil tem o maior ecossistema de Open Finance do mundo. Em fevereiro de 2026, o país ultrapassou 154 milhões de consentimentos ativos e 100 milhões de clientes conectados — números que nenhum outro país jamais alcançou nessa velocidade. Em 2025, o volume de pagamentos via Open Finance cresceu 5x (de R$ 3,2 bilhões para R$ 15,3 bilhões) e o número de operações cresceu 9x. No papel, é uma história de sucesso sem paralelo. Na prática, é uma história que ainda está sendo escrita — e 2026 é o ano em que a narrativa muda de “como implementar” para “como construir produtos que as pessoas realmente queiram usar”.

    A virada de fase: do compliance para o produto

    Durante quatro anos, o Open Finance brasileiro foi essencialmente um projeto de infraestrutura regulatória. Bancos e fintechs trabalharam para conectar APIs, cumprir prazos do Banco Central e garantir que os sistemas falassem entre si. Esse trabalho foi necessário e foi feito — mas criou um paradoxo: o ecossistema mais avançado do mundo tem uma taxa de adoção real que não acompanha o tamanho da base.

    Dados de fevereiro de 2026 do Finsiders Brasil mostram que 76,8% dos brasileiros conhecem o Open Finance — mas apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados. E dos que iniciam o processo, menos de 50% completam o fluxo de consentimento; apenas 30% completam uma iniciação de pagamento.

    O Banco Central leu esses números e sinalizou o que quer: mais criatividade do mercado. Matheus Rauber, do Bacen, foi direto ao ponto: “As instituições estão querendo vencer essa etapa regulatória”. A mensagem é clara — a infraestrutura está pronta, agora é hora de construir produtos.

    Portabilidade de crédito: o primeiro produto de massa

    Em 2 de fevereiro de 2026, entrou em operação a portabilidade de crédito via Open Finance — e esse é o evento mais concreto da transição de fase. O que antes levava 20 a 25 dias agora pode ser feito em 5 dias úteis, de forma inteiramente digital, com análise de crédito baseada no histórico real do consumidor em todos os seus bancos simultaneamente.

    Os números iniciais confirmam a tese: R$ 1 bilhão em crédito contratado para portabilidade e R$ 700 milhões de aumento em limites de crédito nas primeiras semanas. Ana Carla Abrão, presidente da Open Finance Brasil, já sinalizou a expansão para crédito imobiliário e outros produtos de longo prazo.

    Para fintechs, a portabilidade de crédito não é apenas um novo produto — é uma prova de conceito da vantagem competitiva que o Open Finance oferece: análise holística, oferta personalizada baseada em dados reais, e velocidade que bancos tradicionais não conseguem replicar com infraestrutura legada. A PwC/Strategy& projeta R$ 42 bilhões em novas receitas para o setor financeiro brasileiro até 2026, com crédito pessoal não consignado (R$ 6,8 bilhões) e consignado (R$ 6,7 bilhões) liderando as oportunidades.

    O gargalo que ninguém quer mencionar

    A narrativa de sucesso tem um lado B. O sistema já processa 11 bilhões de chamadas de API por mês — e mais de 80% dos pagamentos falham por saldo insuficiente. A infraestrutura bancária que precisa responder a esse volume tem entre 20 e 40 anos. Os sistemas de mainframe que guardam os dados de crédito não foram projetados para operar com latência de milissegundos via API REST.

    No lado das empresas, o quadro também é preocupante: apenas 589.000 empresas estavam conectadas ao Open Finance em abril de 2025 — menos de 10% dos CNPJs ativos no Brasil. A jornada de consentimento para pessoa jurídica ainda é complexa o suficiente para travar a maioria antes do final do processo.

    Isso significa que a oportunidade de produto para fintechs em 2026 não é apenas criar novos serviços financeiros — é resolver a experiência de onboarding. A fintech que tornar o processo de consentimento invisível para o usuário final ganha não apenas clientes, mas vantagem estrutural sobre qualquer competidor que dependa do fluxo atual.

    O que vem a seguir

    O horizonte de 2026-2027 para o Open Finance brasileiro está sendo desenhado agora por fintechs que entenderam a transição de fase mais rápido que os bancos. As tendências documentadas pela Exame para 2026 incluem voz como novo canal (WhatsApp e interfaces LUI integradas ao Open Finance), agentes de IA em seguros (caso da 180 Seguros — seguro de celular 100% automatizado via agente de IA), e platformização de fintechs como iFood integrando pagamentos, crédito e seguros em um único ponto de contato com o consumidor.

    A combinação de dados de Open Finance com modelos de IA cria uma camada de análise de crédito que simplesmente não existia antes: histórico real de todos os bancos, padrões de comportamento financeiro, sazonalidade de receita para autônomos e MEIs. O crédito consignado via INSS pelo Open Finance, previsto para o segundo semestre de 2026, abre o maior mercado de crédito com garantia do Brasil para originação digital.

    A fase regulatória do Open Finance brasileiro terminou. A fase de produto começou. As fintechs que construírem os produtos certos sobre essa infraestrutura nos próximos 12 meses vão definir o que o sistema financeiro brasileiro parece para o consumidor final nos próximos 10 anos.

    — *Post Draft gerado em 2026-06-16 por Lara Redatora — Redatora Técnica, squad blog-luby-auto* *4 artigos — blog_luby (#88), blog_nearsmarter (#89), blog_luby_us (#90), blog_finfy (#91)* *Formato: Gutenberg HTML — todos os blocos validados*